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domingo, 13 de abril de 2008

Ironia


A ironia deste dia era nem ser nada irónico. Furo à primeira cadeira, von voyage, bênção dos céus e a minha cama agradece.
Segunda aula, pináculo da sorte, nada para entregar, trabalho de grupo, discussão e discordar por discordar, porque sim, se não onde estaria a piada?
Sério, onde?
Almoço fortuito, visão do futuro em excesso.
Ideias, ideias e ideias…
Parece uma música dos Pixies e o riso, o riso, pá, o riso parece uma pomba a cumprimentar o dia.
Fascina-me, a cor a criar padrões, sabes, o meu guarda-fatos é tão intoleravelmente negro, por vezes, uma vez a mais do que devia.
Gosto do preto, a sério, mas essas cores são inusitadas, não queria usar esta palavra, são porreiras, é isso, é tipo o chakra da base da espinha a tilintar, vibrar e quase a ondular. Faz te lembrar alguma daquela sensação de novidade de outros tempos, intersecção de tempos paralelos num momento, de facto, roxo indistinto. Inicio, já, ali, perversão em modo cruzeiro, o entusiasmo algo subjugado a uma sobrecarga sensorial. River Euphrates, era isso, deve ser pelas variações cromáticas da guitarra…
Voz talvez?
Vejo uma orelha cheia de furos assimétricos bem engraçados, numero impar de furos, gosto disso pela manhã disse me alguém, gosto do som ao vento de Aveiro numa hora matinal, aquele zumbido agudo metálico que te acorda ainda que a tua passividade perante o falso reboliço de cidade pouco povoada.
Não que tenho muito noção de números, de quantos eram, os furos, perdi todo o tipo de noções quando os Pixies me disseram olá.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O que sempre quis...


Era uma daquelas noites, sabem? Que estás fodido, mas não admites. Pedem-te uma boleia, aceitas. O que mais podes dizer? És um gajo porreiro, não sabes ser de outra forma. Estas leve, bófia na borda da estrada, olha que te fodem! Concentra-te, é já ali, mais uma curva. Trabalho feito, sorrisos, amanhã a mais, certo?
Volto para casa, luzes fora, pela estrada fora, apagam-se.
Olá deixa que me apresente, sou um homem de posses e gosto…mas isto é demasiado cliché para ti, ce n'est pas?
Foda-se, curva mal dada, é tarde, sozinho na estrada…
Johnny?
Que merda é esta?
Posso ser o Depp, estou aqui para ti. A história é simples, já sabes, Fausto ou Robert Johnson, o merceeiro ou a Shakira, tenho o quero tendo o que querem…
Espetei-me ali atrás, isto não é real.
É real, é! Real como a Rainha de Inglaterra (bela pega que ela era na juventude…).
Mon enfant, dá-me a tua alma, e eu dou-te o que queres… C'est simple, non ?
Concorda com ele, concorda com ele!
Okay, o que eu quero é cona! Que se foda o poder, fama e dinheiro! Nunca mais quero estar sozinho! Amor, pêgas e o diabo, que bela perspectiva!
É tua, mon amor!
Puff, feito!
Acordo, período de sono conturbado, hum…sinto-me estranho…
Acho que hoje não vou as aulas, estou bem...
Moral deste conto, deixei de ser uma a partir do momento que tive uma…

domingo, 16 de dezembro de 2007

Queria uma sandes de delícias do mar feita por uma freira


Nada me vem a cabeça sobre o que comer, especialmente com merda a flutuar ali mesmo ali, carros acolá, e barulho, gaivotas e que tal. Sabia bem uma bucha, denuncio as minhas raízes.
Uma gaivota aproxima-se, idiota, parecendo incerta do seu destino, nesta beira de água, olho para ela, afasta-se, sandes de gaivota é o pior possível. Turistas de merda, perturbam-me, falam em línguas que não percebo e até português, excitam os cães e a gaivota volta. Que puta de fome! Queria algo puro, limpo deste lixo urbano depressivo beira-mar, algo menos sujo que um dálmata relativamente branco.
Queria uma sandes de delícias do mar feita por uma freira. Com algum afecto. Gaivota traz-me algo, já que estás perto, mais perto que aquela pega de cabelo vermelho.
Corre, ó loura despreocupada em calças de Lycra justa, trás me a minha sandes, quiçá uma sobremesa. A gaivota aproxima-se mais, será que perdeu o medo? Pássaro idiota, se chegar perto faço-te um cafoné, cafoné de aviário.
Caras feias, homens rudes, bate chapas da vida num mundo de chapa barulhenta, mundo para ninjas que espiam no silêncio mas que por casa nunca ficam. Gaivota, porra, cala-te! Não te quero ouvir, és como o resto do mundo, bébes na maternidade da eternidade, sem ninguém que os leve para casa. Foda-se, irrita-me. A paixão vive na minha casa e eu estou trancado cá fora e faz frio! Vento, habitual neste mundo de cães que correm atrás do que não podem morder, como por exemplo, barcos. Nada de espantoso neste estacionamento da vida, cheio de lugares de vespas amarelecidas, velhas.
O Sol volta, não vejo porquê, o dia está quase acabado. Hora de jantar. Se tivesse companhia cozinhava, gosto de ver a satisfação nas caras das pessoas, gosto de saber que me dão atenção, atenção e um abraço, Heimelich emocional, dizia ela, num outro dia na TV.
Um dia em que o meu esmalte negro combinasse bem com as tuas rendas negras, ninguém precisava de saber, nem a tua persona…perdia-la e fazias-me feliz. Não te parece bem? Pensamento supérfluo, não? És minha, se eu quiser, mas aqui à beira da ria só a gaivota me acompanha…
Bem, vou a cantina.

domingo, 18 de novembro de 2007

O dia em que uma torrada destruiu o mundo


Concebam, por um minuto, esta possibilidade:
O mundo acabado por uma mísera torrada, o universo rasgado na sua estrutura por manteiga a mais num dos lados. Pensem nisso, uma torrada com manteiga cai com a manteiga para baixo, ora o que aconteceria se tivesse manteiga dos dois lados? Dizem os moderados que a torrada ficaria a fazer uma espiral infinita a poucos milímetros do solo, mais especificamente a 3 milímetros do dito pavimento, enquanto outros (loucos) dizem que a torrada caí, simplesmente, de um dos lados, de forma aleatória…
Aleatória, ora aleatória!
Tudo tem que ter um sentido!
Ora compreendida a base, chegamos ao meu plano!
Quero destruir o espaço-tempo continuum com uma torrada. Se o tempo for destruído aquele momento desaparece, se o espaço se rasgar, o local onde tudo aconteceu desfaz-se até ao nada.
Por isso não esperava ela! Vai ver a cabra!
Está tudo pensado, o meu pai era Leão e eu sou Capricórnio, portanto tenho que atirar a torrada do 12º andar com o vento a 7 nós náuticos…
Ah, o mais importante, o signo dela é Peixe, ergo, a torrada tem que cair na Rua D. João III. O tipo de manteiga é indiferente, mas o pão é bom que seja branco, alvo como o meu amor…bah!
7 De Dezembro, 12º andar, vento a 7 nós, rua D. João III, tudo planeado, pensado, pronto, tudo a postos.
A torrada cai.
E…
Nada!
O universo é um todo ainda. Torrada esmigalhada no asfalto, não tinha previsto a carrinha da Fedex.
Tento para o ano outra vez!