- Sinto que comi o último pedaço de chocolate no universo.
- Quando ela me deu aquele último pedacinho.
- Devia ter percebido naquele dia mais que sempre, mas sabes, certas miúdas destroem a linearidade do meu continuum espaço-temporal, ela é um axioma deste facto.
- Ignorei, tentei agarrar uma última centelha de esperança dos seus cabelos, de que tudo seria diferente desta vez, nesta encarnação.
- E agora?
- Só vejo restos do meu mundo, não há vida, tudo é cenário barato de teatro experimental, pessoas são andróides pré-programados em rotinas algorítmicas básicas e previsíveis por matemáticos sádicos, predestinados a recriarem-se ad nauseum, sem independência interpessoal, como uma colmeia.
- E não há lugar para mim.
- Por uma falha de programação?
- Inadequação contextual dos meus propósitos?
- Desejos impróprios de um bom membro da sociedade?
- Mas eu só quero o meu chocolate!
- Uma nova porção não adulterada do mais puro chocolate.
Apenas deambulações mentais da minha essência, pela luz e pela sombra, pelas tostas e pelos queques,sem pudicidade qualquer
terça-feira, 26 de outubro de 2010
12 pedaços de chocolate
sábado, 10 de abril de 2010
Velocidade de Escape
Tento ignorar fotos mentais, imagens, imagens e mais imagens, são tantas, que me levam a loucura, uma por uma, minuto por minuto, ainda não me distanciei delas, ainda não me removi do momento, ainda é uma visão em primeira pessoa, pornografia mental.
Linhas perdidas por existências insignificantes, forças de outros tempos marcados pela indiferença.
Neste meu ponto de conjectura, centro do universo, olho para lá dos tempos que passam. Aprecio a música como silêncio em movimento, dinâmico, nunca estático, nunca comum. Como uma parte intrínseca da minha existência, uma ponte para fora do centro do ruído humano, para subúrbios mais acolhedores. Não poderia continuar a viver se ela me deixasse.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Uma tempestade num copo de água
segunda-feira, 15 de março de 2010
Passatempos

domingo, 14 de fevereiro de 2010
Fogo
Apagando-se nas suas próprias cinzas. Consumido por si próprio, pelo calor no seu peito, pela força que o impele. Não sabendo sequer, sem conhecimento de outra forma de se consumir sem ser esta. Para quê saber?
Depois disto as cores parecem mais mortas, depois disto a cerveja não é tão absoluta, o gin tão destrutivo e o vinho tão doce. Vai precisar de novas palavras para definir extremos.
Segue em frente apenas, para nunca voltar aquele lugar, para nunca regressar. Ou será que sim?
O tempo é um rio ou um lago?
Uma recta ou um círculo, Oroboros, Eterno Retorno, ou apenas um beco sujo pelo vómito do tempo?
Questão que a ninguém interessa, não há tempo para a explorar. Apenas direcção sem sentido, um caminhar por caminhar, para gastar alguma dessa força, sem lugar onde parar, sem uma cara amiga por entre o pó da estrada, sem alguém que lhe diga aquela palavra que ele nunca ouviu. Talvez seja isso que ele procura, a palavra que ateie um contra-fogo na sua alma.
Prepara-se impaciente para o impacto.
Mas tudo é conjunturas quando visto de fora.
Tudo é hipóteses quando se vive em teorias.
domingo, 26 de outubro de 2008
Diatribe alcoolizada
Esta é outra diatribe alcoolizada, de como teríamos sido espectaculares noutra incarnação."Tu estás apaixonado com a própria ideia de estar apaixonado" disse a minha mente desesperadamente tentando pôr estas palavras de sabedoria na boca da minha paixão, sabendo antecipadamente que ela não satisfaria a minha necessidade do melodramático.
Seria esse o meu consolo, de que somos ambos perfeitos, mas não nesta vida, não agora...
"O agora revela a tua esperança", a mente replica.
Replica? Como odeio essa palavra, palavra standard de escritores sem caché criativo, tenta, por favor, tenta com mais força!
"Bebe mais um copo, agora de companhia, não a censures por beber sozinha"
Nunca a censurei por beber sozinha! Nunca, onde iria buscar moral para fazer tais coisas?
"Não admites que tentaste nesse momento o clássico manobra de Cristo, de quereres carregar a cruz dela? Não me podes mentir!"
Não posso ter um final feliz, um em que em esteja em posse de Luke Skywalker no poster no Return of The Jedi, salvando o universo conhecido?
"Sejamos realísticos!"
Quem disse que temos que ser realísticos, porque é que não me posso agarrar as minhas ilusões?
E desde quando falas com tanto requinte, preferia um merdoso abrasileirado "cai na real", soas demasiado pedante!
"Pedante! Eu sou o tua mente, sou tu, como me podes acusar de ser pedante!
Tu, arrogância sem fundo, cachorro sem dono, puto mal amado. O pedantismo intelectual é a tua cama, minha puta racionalista!"
Racionalista, tiveste fora da cidade por quanto tempo? A minha vida é o improviso de altares á terra, e ela será para sempre o meu primeiro altar á terra, o primeiro verdadeiro altar carnal, sangrento, belo, sem amarras lógicas.
"Mentiras racionalizadas, eu estive sempre aqui, sempre que ela partia, sempre que pensavas que ela podia não voltar, sempre que pensavas que ela era um mito desse suposto sono desfasado, sempre que abrias aquela porta, sempre que sentias aquele aroma era como aquele soco merecido de '97. Racionalizaste o fim, um fim antecipado, por pouco que não o racionalizaste por completo. Dou-te esse osso, cachorro, não racionalizaste por completo, voltaste a ela com o rabo por entre as tuas pernitas, enlameado em desespero narcisista!"
Não voltei a ela, não voltei como um cão, não voltei simplesmente.
Apenas fiz o que tinha que fazer, nunca tive jeito para fugir aos meus impulsos, os meus ameaços criativos são carne para canhão dessa ideia.
No mínimo, voltei a mim.
domingo, 12 de outubro de 2008
Caminhos já vistos
Penetro caminhos já vistos.A minha fome por ti leva-me a cometer indiscrições monumentais, de proporções épicas, tudo para alimentar a fome de brutalidade, carnalidade e loucura.
Não posso, não devo, não me permito a arrastar-te comigo, mas não me importo de ser arrastado por ti, só por ti, só tens que ignorar toda a razão.
Que tal começarmos de novo?
Nomes novos para acções já nomeados de forma sôfrega?
Eufemismos relegados em prole de destemperos imediatos, tão doces na memória.
Um jogo em que ninguém saia ferido, de preferência, pelo menos desta vez, pelo menos neste momento, podemos ainda reescrever o nosso caminho nestas ruas desoladas.
Ainda vamos a tempo?
Ainda sabemos como isto começou, qual foi o momento decisivo que nos fez cair em graça?
Duvido, mas não se perde nada em tentar, em reinventar impulsos de formas mais belas, sem mentir, sem lhes dar nomes comuns.
Palavras ora ditas cedo ou tarde demais, dolorosas quando nunca são ditas.
Não as espero ouvir da tua boca, apenas que as penses, o teu corpo fala por ti.
É só isso que preciso.
Palavras conheço muitas, loucura só a minha.
É só isso que preciso.
Um pouco da tua loucura.
Ainda que…
Alertas-me para a tua estranheza contida, parece que me avisas de uma ponte caída ao fundo da estrada, uma vereda, um penhasco que eu deveria temer.
Será impressão minha ou mais uma expressão tua?
O que eu vejo é o meu medo ou é o teu, verdade que não sei.
Verdade que te quero, mas tenho medo de te afastar no processo.
Ou talvez já o tenha feito.
Vejo o meu desejo amordaçado por racionalismos odiosos mais uma vez, ainda.
domingo, 21 de setembro de 2008
Tudo o que me adormeça de ti

Tudo o que me adormeça de ti, tudo o que me faça esquecer a tua pele.
Queria aprender os teus ritmos, as tuas marés, os teus inventos, os teus padrões de pensamento e os teus processos de criativos.
Aprendi algo, aprendi que nunca estou verdadeiramente livre, que estou sempre pronto a ser aprisionado, magnetizado, enleado numa teia de novidades estonteantes, de pequenas ovelhas como nuvens e gnomos viajantes.
Quero estar narcotizado até voltares, carnalmente, em explosões cabaré-punk.
Tudo o que me adormeça de ti, tudo o que me faça esquecer a tua pele.
Mas tu não voltas, pois não?
Porque isto só foi um momento.
Porque isto foi uma tentação.
Porque isto não podia ser mais.
Porque isto não podia ser mais agora.
Porque.
Porquê?
Não guardo qualquer remorso, nenhuma dor maior, nenhum ódio vermelho.
Queria que me vendesses a tua alma, mas fui cego, esqueci-me que a amava livre, que era isso, a tua liberdade, o que me mantinha atento, pronto a ouvir, em transe nas tuas palavras.
Não quero a tua alma, pelo menos agora, apenas quero reflexos dela e um pouco do teu desassossego.
Tudo o que me adormeça de ti, tudo o que me faça esquecer a tua pele.
Mesmo que tenhas quebrado o meu Japa Mala, mesmo derrubando o meu arcano carvalho, mesmo interrompendo o meu mantra, mesmo assim não vejo em ti pecado.
Em fim, pensamentos, no meio disto só me arrependo de não te ter beijado uma última vez.
Minto.
Isso seria demasiado final.
E não consigo esquecer a tua pele.
E o sono não voltará.
domingo, 20 de julho de 2008
Insólitas Colisões Nucleares
Estagno se não sentir os cães no meu encalço, desafiam-me…
Não, espera, desafio-me, tenho que puxar os meus próprios cordões.
Tudo tem que ser feito de dentro para fora, pouco há do que depender lá fora.
O exterior nunca será mais real do que a publicidade que vês na TV, opiniões facciosas disfarçadas de factos por comentadores com agendas gordas e bagagens demasiado cheias.
Nada acontece que me demova desta linha de pensamento, os passos do tempo são demasiadamente lentos. As cordas da existência estão demasiadamente soltas e a sua vibração quase que não produz som no vácuo de interesse que é este momento.
Não vejo realidades que se consigam cruzar com a minha, não vejo os pontos de contacto, paralelismos que valha a pena explorar e porventura uma tempestade de partículas na qual entrar.
Horas de desespero substituídas por horas de indulgência meditativa, contemplativa, aborrecimento sem fim, todos os corpos que me rodeiam não são suficientemente gravíticos para me atrair, para trair a minha calma.
Gritos amotinam o momento, isto é novo, parece-me um bom momento para observar.
Sentada pouco segura, botas de outras modas, cara balançante entre a seriedade e algo que precisaria de uma vida para perceber.
Palavras baixam, atingem a barreira do som e desaparecem.
A minha mente pôs-se em fuga perante as possibilidades desta visão, é uma espécie de alimento, interlúdio do que seriam horas deixadas vagas por ideias concluídas e emancipadas.
Que foi isto?
É a pitoresca causalidade da passagem do tempo em insólitas colisões nucleares.
São preparações fundamentais em concílios de anciões sábios. A exploração da sua alma apresenta perguntas pertinentes a um observador leigo, um conhecedor acautelado dispensa pensamentos excedentes, remanescentes, que atrasam eventuais descobertas.
Um conhecedor acautelado apenas observa.
Um observador acautelado não se deixa confundir por visões dualísticas.
Eu, blasfémia cientifica!
Eu não tinha os conhecimentos para controlar tal força, tal força da natureza, tal instinto em mim, animal. Dinamismo explosivo, supernova de tonalidades avermelhadas, obscuras em velhos céus majestosos, novas impressões forjadas perante caminhos abruptos no seu aparecimento.
Puxamos-nos um ao outro por essas ruas tão velhas, sobre os nossos pés decisões anteriores, paixões novas, tentações não ignoradas e sôfregas vindas a superfície em busca de oxigénio alienado do mundo, colidindo com incautas paredes em momentos de surpresa em estado bruto. Suspiro um pequeno eureka, uma subtil descoberta, uma pequena surpresa nas minhas mãos, não te moves segundo as leis da física newtoniana, és algo fora desse enquadramento corpóreo.
E aqui nascem novas ideias, continuadas depois deste breve intervalo para publicidade em sonhos de um sono desfasado.
sábado, 21 de junho de 2008
Decadência
Será reflexo de mim, caminhei vezes de mais estas ruas para nunca ter reparado em tanta morte a rodear a minha pessoa.
É reflexo, é, sem dúvida a minha própria mente não o consegue esconder de mim. Sinto-me a decair, a graciosamente me desfazer em pó nestas ruas e não há fé que me salve. Nojo a estes pensamentos, isto é só passageiro, mas sabe a eterno, sabe a montanhas, sabe aos Urais, imóveis, longínquos como uma memória que eu nunca tive. Não sei o que me fez pensar nisto, eu sei que isto é perene, vejo o dia no calendário em que vai tudo acabar, mas não acredito em tal mini Apocalipse, tanto fogo que limpará a minha existência deste mapa em que nunca quis estar cartografado. Não queria mesmo, não devia estar nessa lista, numerado, fogo, não devia, a minha alma não o queria, proibiu me de o fazer, ameaçou deixar me. Desculpas rascas, decadentes com um prostituta num canto escuro, para esta escolha, em nome da segurança dizia eu.
Porra, deixa-te de dúvidas existencialistas, tens trabalho a fazer. Deixa-te de ter ideias, adquire o método, um método que seja, algo, organiza-te, cataloga as ideias num armário escondido numa cave obscura por agora.
Por favor, por agora não penses, por favor, por agora não penses nela, por favor, concentra-te, por favor, por agora, esquece-te de ti próprio, por agora, não sejas acção nem reflexão, sê execução. Sê vazio de desejo, coma emocional induzida por objectivos, vê se percebes, agora não é o momento para isto, tens a tua vida em cima de ti, pungente, não tentes fugir, vai doer mais se o fizeres, Atlas não pode fugir.
Mais um par de dias e podes matar a mansa besta de carga.
Mais um par de dias e podes ser o lobo.
domingo, 11 de maio de 2008
Um gato observa atentamente uma vela
Um gato observa atentamente uma vela, destilando nos seus olhos todas as possíveis cores que o olho do gato pode refractar. Mais que isto são só sombras geradas pelo movimento impaciente de uma chama que aparenta querer fugir para paragens mais quentes, talvez a sul de Punta-Caña. O gato olha, pensando em algo, não consigo destrinçar nada nos seus olhos, além dos óbvios reflexos da escuridão.Olho para o tecto, perco-me em alguns pensamentos que mereciam, só por si, uma mini-inquisição de sábado à tarde. Com uma pequena fogueira a acompanhar. Neurónios debandam de tais pensamentos, anseiam por umas férias volumosas algures a norte do nada, em que um pouco de patavina ladeia com classe uma zona de absolutamente coisa nenhuma.
O chocalhar da chama criou uma imagem que pica a minha memória, uma ideia, não lhe consigo chegar com os dedos da minha mente, coçá-la, claramente está nas costas da minha psique. Fecho os olhos, agora a sério, volto daqui a 8 horas, fechado para liquidação de ideias.
Tenho que fazer, não quero ser um extra num filme do Romero.
Tenho que fechar os olhos.
Fecho os olhos, agora é definitivo.
Uma última interjeição, já sei o que marinava na mente do gato.
Uma forma discreta de sentar na minha cara.
domingo, 13 de abril de 2008
Ironia

A ironia deste dia era nem ser nada irónico. Furo à primeira cadeira, von voyage, bênção dos céus e a minha cama agradece.
Segunda aula, pináculo da sorte, nada para entregar, trabalho de grupo, discussão e discordar por discordar, porque sim, se não onde estaria a piada?
Sério, onde?
Almoço fortuito, visão do futuro em excesso.
Ideias, ideias e ideias…
Parece uma música dos Pixies e o riso, o riso, pá, o riso parece uma pomba a cumprimentar o dia.
Fascina-me, a cor a criar padrões, sabes, o meu guarda-fatos é tão intoleravelmente negro, por vezes, uma vez a mais do que devia.
Gosto do preto, a sério, mas essas cores são inusitadas, não queria usar esta palavra, são porreiras, é isso, é tipo o chakra da base da espinha a tilintar, vibrar e quase a ondular. Faz te lembrar alguma daquela sensação de novidade de outros tempos, intersecção de tempos paralelos num momento, de facto, roxo indistinto. Inicio, já, ali, perversão em modo cruzeiro, o entusiasmo algo subjugado a uma sobrecarga sensorial. River Euphrates, era isso, deve ser pelas variações cromáticas da guitarra…
Voz talvez?
Vejo uma orelha cheia de furos assimétricos bem engraçados, numero impar de furos, gosto disso pela manhã disse me alguém, gosto do som ao vento de Aveiro numa hora matinal, aquele zumbido agudo metálico que te acorda ainda que a tua passividade perante o falso reboliço de cidade pouco povoada.
Não que tenho muito noção de números, de quantos eram, os furos, perdi todo o tipo de noções quando os Pixies me disseram olá.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Sangue

Não espero que louves a minha moral duvidosa, que compreendes a minha realidade relativa.
Esta era a única decisão possível, o único caminho aberto num deserto ético pleno de ravinas mal assinaladas.
Tive que te destruir nesta madrugada…
O teu sangue e as minhas lágrimas, as tuas lágrimas e o meu sangue, misturam-se com o nevoeiro de uma noite morta que ainda não é madrugada. Projectados, enleados os fluidos de uma paixão extinta que tingem um chão há muito caminhado por nós.
Foi aqui que te vi pela primeira vez, tão bela como o pecado, tão sedutora como aquele canto escuro da minha mente, tão bela que te converteste nesse canto escuro, roubaste-me da minha luz.
Disseste-me sim demasiado cedo, caí, caí a acreditar num qualquer clássico cliché romântico, dês-te asas a besta dentro de mim como nenhuma antes de ti e agora suspeito que nenhuma te irá superar depois disto, foste o meu único pensamento em horas perdidas, horas em que o mundo morria para nós, em que podiam morrer todas a vidas deste glorioso planeta de miseráveis.
O sangue continua a correr, agora sei o que vai acontecer, tudo é claro, iluminado e até um pouco simples, simples pela primeira vez…
Quando voltei a este local era um último esforço para continuar eu (sabes bem o que és!), olho para o abismo e o abismo olha de volta para mim (sim, de volta para mim), não posso continuar assim, já não me reconheço, a minha paixão por ti mudou-me de uma forma com a qual não sei lidar (Diz-me o que fazer, porra!), preciso de uma saída…
A faca, sinto-a mais fria do que estava a espera, o sangue mais quente. Sabes que isto é o fim, sabes que assim que o meu sangue tocar a água estará tudo acabado.
Destruí-te, a culpa vai devorar-te e quando eles vierem por ti já não haverá nada da tua essência (monstro!).
A tua faca na minha pele, carne, cartilagem, osso é o teu final, o esvair do sangue como uma ampulheta.
Eu estou morto e tu mais valia que estivesses.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Universos
No parque, costas com costas, calor, coração e coração na relva abandonados, simbiontes emocionais de almas antigas. O silêncio continua intocável, virgem e intricado na nossa proximidade, headphones como acessórios de moda indispensáveis, fashion statement e afirmação pessoal, não precisamos de falar, escrevemos um para o outro, vozes arranhadas pela experiência, ouvidos ensanguentados pelo silêncio ensurdecedor das vozes desses humanos que nunca serão mais do que isso.5 Minutos, tempo de mais sem ver a tua cara, costas com costas, crio algo mais, sinto o teu coração bater, crias o teu universo aqui ao lado.
Seria possível criar alguma forma de túnel, um wormhole, passagem pelo continuum espaço-tempo, buraco negro, hiperespaço, um sítio onde o Millenium Falcon demoraria menos de um parsec a fazer a corrida (espera ai parsec não é um medida de distância…?)
Queria que o escrevo se expandisse até a ti, o que escreves se expandisse até a mim num big bang criativo, as nossas moléculas se transformassem uma coluna, um rodopio de energia, loucos na renovação…
O meu coração bate mais forte, o teu sincroniza, dás-me a mão, certezas surgem e desaparecem, aqui, já…
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Não me sinto bem hoje...
Para ti, passado:
Não me sinto bem hoje, e ontem era um Deus do Karma, uma perfeição da minha essência, pena não durar a noite. Hoje o negro abate-se, a ressaca do absoluto tende a doer, não?
Espero por ela, espero que ela venha, quero ver a sua face sem o véu de Baco sobre ela.
Era bela, pois era, mas temo que fosse apenas parte da minha imaginação, um aperfeiçoamento do que eu anseio, possível, não?
É uma partida do Universo por certo, conheço a mulher perfeita e ela escapa-se por entre os meus dedos ou pior, não é assim tão perfeita.
Se eu não a poder ver, ninguém a verá.
Pensamento tão final, mente perdida, ódio em catadupas…
Fodasse, porquê?
Passa o tempo, olho a rua, nada faces vazias, lugares comuns, pelo menos é uma noite calma, tenho espaço para mim, para o meu ego e para as botas de ambos.
Será que percebi bem, será que é aqui que devo estar.
Não é mau, caras bonitas observam-me, observo de volta, agradáveis, risos, presenças desconhecidas…pena!
Mais tempo, espero, gostaria mesmo de a ver, quero confirmar traços, olhares, mãos, olhos, pestanas, lábios, cheiros, presença…
Não era eu ontem, não te conheço, mas o meu outro disse-me que eras porreiras…
Quero te descobrir outra vez…
domingo, 2 de dezembro de 2007
Fuck me Jesus!

ou
Uma reflexão séria acerca de vida sexual da figura messiânica judaico-cristã de uma perspectiva pós-modernista.
Ponto 1 – Não, ele não facturou, não perguntem!
Fim
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Café

Café, café, caféééééééé.
Acordo, café, nascer do sol.
Repito o ritual: Acordo, café, nascer do sol.
Glorificada cafeína, adulada a cada início. Não me lembro do dia de ontem, vícios, drogas e autodestruição…
Colo imagens roídas pelos ratos da minha mente (e aquela última cerveja). Olho em volta...porra, ia direito para o inferno, 14 anos de lascívia em mim, sou doente, não sou?
Whiskey limpa a chávena, o líquido suja-me a alma. "Mas já não a vendes-te? Não se aceitam devoluções!"
Qual é a minha cena com vermelho e negro entremeados, enleados, enclausurados em si próprios. Cresce tu, cresce ela, estagno eu e talvez, só talvez algo pudesse, num bizarro universo, vir a acontecer (estranho, estranho e estranho ainda mais).
Lembranças voltam, 3 ou 4 anos atrás, não foi assim que a minha queda inversa começou, a pensar nisto? Olhos bonitos, nada de riscas só alguns riscos, azuis, outros tempos.
Inquirições, que fazes aí? Não é por obrigação, é porque quero, é porque não sei viver de outra forma. Mudo? Gosto de mim assim, não posso chorar por ter vivido a vida desde que me destruí. Café, dá-me outro, meio deslavado, aguardente ao lado, estou desfeito de mais. Cravo um cigarro, estimulante ou calmante, não me interessa…
Sorri, caralho, sorri, não há medo que te deite abaixo, certo?
Tens o queres?
És um rei no teu castelo.
Talvez só talvez.
Uma amiga da Barbie talvez te ache graça, sóbrio.
Um cimbalino duplo, se faz favor!
domingo, 25 de novembro de 2007
Á Esquerda de Deus

Eu reconheço o caminho, o sentimento, o desejo…
Sabes como é, renascer, sair a rua, sentir o frio na cara, senti-lo correr entre as minhas orelhas, entre as minhas cicatrizes, vivas, escarlates, mas agora nada mais que lembranças subjugadas pelo doce peso do presente.
Senti-lo na barba, símbolo de mim, expressão que tantos entendem como uma fuga a realidade, mas tu sabe-lo, sabes que é um elogio aquilo que é o fantástico…
Que estejamos aqui, neste momento, vivos, celebrando a carne, celebrando o que te mantêm nesta gloriosa, negra, suada e fria esfera sobrepovoada.
Já o sentiste?
O sentimento de caminhares sozinha, mas se fosse como tudo o mundo caminhasse contigo, ao teu ritmo, numa música que só tu conheces, que só tu ouvistes em sonhos recalcados, sonhos de luz que tu não compreendestes em manhãs que vieram demasiado cedo, de sonhos interrompidos pela existência mundana. Sabes agora que essa existência é só um mecanismo, um processo, um metafórico picar do ponto, o suster da carne pelo suor-não-tão-divertido.
Agora já nem sentes dor dos sonhos perdidos, porque os vives, porque quando fechas os olhos vês mundos para além das tuas paredes, para além dos titãs de cimento, das árvores que já viram a criação e destruição de vidas?
São estas as questões que te deixo, as questões que me deves responder!
Quero ver-te a descrever tudo, virtuosamente, de forma verbosa, criativa, criadora…
Quero que completes as minhas frases, que sonhes comigo no silêncio cortado pelos sons da carne, que te vistas de penumbra só para os meus olhos, que ascendas comigo…
Quero saber apenas se estás pronta, se és tu, se és digna, se tu caminharás comigo, à esquerda de deus.