domingo, 21 de fevereiro de 2010

Reflexos

Os reflexos nas paredes dizem tudo.
Não precisas de fugir, as dimensões químicas são dominantes, as verdades são momentâneas e este é o momento.
Tu sabe-lo, tu queres e amas a sua destruição, queres um pouco de drama para arejar uma vida confortável, não é?
Ou o conforto de estares só.
Ou a confiança que nunca serás mais que isto.
Ou mais uma fuga para os arquivos do choro.
Ou aquele sentimento que já esqueces nestas noite quentes em demasia.
Ou aquela noite que foi fria de mais.
Tu sabes que é Fevereiro, não existe voltar atrás, novo ciclo em vista, o tempo amainou de forma ecléctica em finais de dias demasiado tardios e noites que parecem nunca chegar, parece que vivo para elas e nisso concordo contigo.
É um ponto de partida, não é?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Fogo

Arde-lhe a alma, o inferno chegou mais cedo do que antecipava.
Apagando-se nas suas próprias cinzas. Consumido por si próprio, pelo calor no seu peito, pela força que o impele. Não sabendo sequer, sem conhecimento de outra forma de se consumir sem ser esta. Para quê saber?
Depois disto as cores parecem mais mortas, depois disto a cerveja não é tão absoluta, o gin tão destrutivo e o vinho tão doce. Vai precisar de novas palavras para definir extremos.
Segue em frente apenas, para nunca voltar aquele lugar, para nunca regressar. Ou será que sim?
O tempo é um rio ou um lago?
Uma recta ou um círculo, Oroboros, Eterno Retorno, ou apenas um beco sujo pelo vómito do tempo?
Questão que a ninguém interessa, não há tempo para a explorar. Apenas direcção sem sentido, um caminhar por caminhar, para gastar alguma dessa força, sem lugar onde parar, sem uma cara amiga por entre o pó da estrada, sem alguém que lhe diga aquela palavra que ele nunca ouviu. Talvez seja isso que ele procura, a palavra que ateie um contra-fogo na sua alma.
Prepara-se impaciente para o impacto.
Mas tudo é conjunturas quando visto de fora.
Tudo é hipóteses quando se vive em teorias.