domingo, 12 de outubro de 2008

Caminhos já vistos

Penetro caminhos já vistos.
A minha fome por ti leva-me a cometer indiscrições monumentais, de proporções épicas, tudo para alimentar a fome de brutalidade, carnalidade e loucura.
Não posso, não devo, não me permito a arrastar-te comigo, mas não me importo de ser arrastado por ti, só por ti, só tens que ignorar toda a razão.
Que tal começarmos de novo?
Nomes novos para acções já nomeados de forma sôfrega?
Eufemismos relegados em prole de destemperos imediatos, tão doces na memória.
Um jogo em que ninguém saia ferido, de preferência, pelo menos desta vez, pelo menos neste momento, podemos ainda reescrever o nosso caminho nestas ruas desoladas.
Ainda vamos a tempo?
Ainda sabemos como isto começou, qual foi o momento decisivo que nos fez cair em graça?
Duvido, mas não se perde nada em tentar, em reinventar impulsos de formas mais belas, sem mentir, sem lhes dar nomes comuns.
Palavras ora ditas cedo ou tarde demais, dolorosas quando nunca são ditas.
Não as espero ouvir da tua boca, apenas que as penses, o teu corpo fala por ti.
É só isso que preciso.
Palavras conheço muitas, loucura só a minha.
É só isso que preciso.
Um pouco da tua loucura.
Ainda que…
Alertas-me para a tua estranheza contida, parece que me avisas de uma ponte caída ao fundo da estrada, uma vereda, um penhasco que eu deveria temer.
Será impressão minha ou mais uma expressão tua?
O que eu vejo é o meu medo ou é o teu, verdade que não sei.
Verdade que te quero, mas tenho medo de te afastar no processo.
Ou talvez já o tenha feito.
Vejo o meu desejo amordaçado por racionalismos odiosos mais uma vez, ainda.

2 comentários:

AnCaLaGoN disse...

Racionalizações desesperantes ou exactamente o contrário... és confuso pá!!!

Fica a beleza disto:

"Vejo o meu desejo amordaçado por racionalismos odiosos mais uma vez, ainda."

Lovernios, o Raposo disse...

A loucura... uma anfetamina para uma mente sã... tornando-a em algo maior. Insano.

A transfrmaçãoe está completa.