quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Real

Só existes porque eu quero, só existes porque eu já existia, só existes porque a minha mente precisa de te conceber.
Repara, não vejo nada de ti fora da minha presença, só existes na minha interacção contigo, não vejo provas de ti fora de mim.
Passo dias a perseguir o teu cheiro e nunca o consigo encontrar. Faz sentido, não faz?
Não vale a pena contares-me a história da tua vida, eu sempre tive boa imaginação, sempre criei estórias para todos os meus amigos (imaginários). Essa tua posse não é mais que resquícios de todas as outras (reais) que vieram antes de ti e que virão depois e que estão aqui, agora, tão fugidias, tão reais e tão eternamente desinteressantes! Pelo menos tens isso a teu favor…
És falsa para o mundo, eu sei, mas não te preocupes, não stresses. Para mim tens mais coração, mais mente, mais consistência que qualquer uma, qualquer outra, qualquer realidade…
Mantenho te aqui, animal de estimação da minha mente, acaricio-te os cabelos, fazes-me tranças, nestes tempos esquecidos em pensamentos vãos, nestas paragens que só nós visitamos.
É verdade, já não sei quem doou para a tua construção, de onde vieram essas tuas orelhas, esse sorriso, essas ancas, essas mãos tão invasivas. Mas sei quem te deu esse domínio do Sonic e Knuckles, quem te explicou quem foi o Bakunin, quem te ensinou a entrada espanhola e a fazer bolonhesa. Quem fez de ti uma imaginação tão porreirinha…
Gosto de ti assim, Frankenstein fofinho, mesmo que não existas!
Já agora, onde é que estamos?
Perdi-me neste pensamento, devia ter saído dele há dois argumentos a trás.

2 comentários:

AnCaLaGoN disse...

Ohhh what to do when the memories seem so clear...

O Raposo, the foxman disse...

Quantas existências temos? Serás a tua existência em ti a mesma da tua existência nos outros?
Quem é o actor, quem é a personagem, quem é a personagem real?
O mundo é um teatro, e nós não temos apenas um papel. Somos herois e vilões, e o número de personagens inventivas é equivalente ao número de espectadores.

Seremos nós expectadores de nós próprios???