domingo, 20 de julho de 2008

Insólitas Colisões Nucleares

Este espaço é confinante e quase que sinto o tempo a solidificar a minha volta, como lodo, como tundra. Sinto-me redundante nesta sala, claustrofobia desmesurada em tempo e espaço. Não me sinto a mover, a ter direcção em pensamentos ou em movimentos.
Estagno se não sentir os cães no meu encalço, desafiam-me…
Não, espera, desafio-me, tenho que puxar os meus próprios cordões.
Tudo tem que ser feito de dentro para fora, pouco há do que depender lá fora.
O exterior nunca será mais real do que a publicidade que vês na TV, opiniões facciosas disfarçadas de factos por comentadores com agendas gordas e bagagens demasiado cheias.
Nada acontece que me demova desta linha de pensamento, os passos do tempo são demasiadamente lentos. As cordas da existência estão demasiadamente soltas e a sua vibração quase que não produz som no vácuo de interesse que é este momento.
Não vejo realidades que se consigam cruzar com a minha, não vejo os pontos de contacto, paralelismos que valha a pena explorar e porventura uma tempestade de partículas na qual entrar.
Horas de desespero substituídas por horas de indulgência meditativa, contemplativa, aborrecimento sem fim, todos os corpos que me rodeiam não são suficientemente gravíticos para me atrair, para trair a minha calma.
Gritos amotinam o momento, isto é novo, parece-me um bom momento para observar.
Sentada pouco segura, botas de outras modas, cara balançante entre a seriedade e algo que precisaria de uma vida para perceber.
Palavras baixam, atingem a barreira do som e desaparecem.
A minha mente pôs-se em fuga perante as possibilidades desta visão, é uma espécie de alimento, interlúdio do que seriam horas deixadas vagas por ideias concluídas e emancipadas.
Que foi isto?
É a pitoresca causalidade da passagem do tempo em insólitas colisões nucleares.
São preparações fundamentais em concílios de anciões sábios. A exploração da sua alma apresenta perguntas pertinentes a um observador leigo, um conhecedor acautelado dispensa pensamentos excedentes, remanescentes, que atrasam eventuais descobertas.
Um conhecedor acautelado apenas observa.
Um observador acautelado não se deixa confundir por visões dualísticas.
Eu, blasfémia cientifica!
Eu não tinha os conhecimentos para controlar tal força, tal força da natureza, tal instinto em mim, animal. Dinamismo explosivo, supernova de tonalidades avermelhadas, obscuras em velhos céus majestosos, novas impressões forjadas perante caminhos abruptos no seu aparecimento.
Puxamos-nos um ao outro por essas ruas tão velhas, sobre os nossos pés decisões anteriores, paixões novas, tentações não ignoradas e sôfregas vindas a superfície em busca de oxigénio alienado do mundo, colidindo com incautas paredes em momentos de surpresa em estado bruto. Suspiro um pequeno eureka, uma subtil descoberta, uma pequena surpresa nas minhas mãos, não te moves segundo as leis da física newtoniana, és algo fora desse enquadramento corpóreo.
E aqui nascem novas ideias, continuadas depois deste breve intervalo para publicidade em sonhos de um sono desfasado.

2 comentários:

Lovernios, o Raposo disse...

Estímulos, uma vida recheada deles. E que serias tu sem eles?
Conseguirias acordar, fazer algo sem um estímulo a empurrar-te para o precipício ou para longe dele?

AnCaLaGoN disse...

Let loose the hounds of war on your mind...


que mais há para fazer? Nada, continua a usar as palavrinhas para deleitar as mentes desprevenidas que pensam que te conhecem... pode ser que um dia alguém mande um comentário correcto :)