segunda-feira, 24 de março de 2008

Ontem

As tuas orelhas espreitam entre o cabelo, rosadas, queridas. Queridas por mim. Minha primeira paixão deste novo ser. Éramos novos um para o outro, fantásticos, quentes, sangrentos. Como me morrestes, falso, acreditar nisso. Como me esqueceste, verdade, para ti nunca foi luz. Para ti nunca foi mais do que uns olhos de cachorro mal amado, não fui? Deixas-te me cair com jeitinho, nunca soubeste ser má, nunca me agrediste, nunca pudeste.
As minhas unhas negras assustam-te? Pelo menos, pelo menos isso, pelo menos que penses em mim, que penses no que eu penso.
Dizem-me que a compatibilidade é baixa, que nunca poderia ser. Dizem-me que o meu sentimento é retroactivo, que nesses dias nem sabia o que era o amor. Talvez o meu antigo ser não amava, assimilava, não tocava, destruía.
Mas tinha as minhas certezas distorcidas. Destruíste-as, pega, virgem, amada, paixão, como nenhuma outra. Volto-te a olhar agora nos olhos verdes, como os do demónio, pelo menos agora tenho coragem para isso, coisa nova para mim, cachorro mal amado, calor mal aproveitado.
Que tempo mal aproveitado, pensamentos supérfluos.

2 comentários:

AnCaLaGoN disse...

Pega, virgem, amada...


Decide-te!!! Decide!!!
Ou já o fizeste? :)

Lovernios, o Raposo disse...

Cá está o post que define, indirectamente, inconscientemente, o nome do blog.

Tantas vezes que decisões feitas em momentos de desespero se mostraram fatais para quem tem de arcar com as consequências... sabes do que falo.

Mas valeu a pena? Creio que sim. A vida ensina muito de todas as maneiras possíveis e imaginárias... e todas as experiências contam.

Mais importante de tudo? A amizade.

Pega, virgem e amada... uma coisa não exclui a outra, Ancalagon...