segunda-feira, 17 de março de 2008

Vida!

Vamos todos morrer, não vamos? E então porque não estamos a correr nus pelos campos entoando canções de amor e vida? Pelo menos as miúdas, digo eu, era tipo, bem, porreiro…
É que sabem, tenho uma aula de medicina em que aprendi, basicamente isto: 90% dos meus hábitos são cancerígenos, mortais, prejudiciais, e geralmente maus para mim.
Isso não é bom, quero viver, quero continuar aqui, viver. Quero continuar a amar a terra, a carne, a recorrência das duas, quero ver além do meu horizonte, vislumbrar mais beleza, saborear a sinestesia do mundo, ter um ataque da síndrome de Stendahal, quero te ver uma vez , outra e outra, ad infinitum, ad astra, ad qualquer coisa mais. Quero ver aquele cruzamento, aquela confluência de ruas, aquele canto e aquele campo. Quero te ver de novo com aquela camisola roxa cheia de borbotos, aquela de sempre. Quero voltar a ver Paris, Hamburgo, Gotemburgo e Beja. Quero ver nova vida, velha vida e rir-me da minha vida.
Quero tanto, porra, tanto, que até dói, uma dor boa, quente como sol de Março.
Vamos ficar mais um pouco por aqui, pode ser?

3 comentários:

AnCaLaGoN disse...

End? No, the journey doesn't end here. Death is just another path... One that we all must take. The grey rain-curtain of this world rolls back, and all turns to silver glass... And then you see it... White shores... and beyond, a far green country under a swift sunrise.

Não temas a morte, é a única coisa completamente fora do teu controle, aceita-a e segue em frente. É com o que fazes antes da morte que tens de te preocupar. Haverá tempo para tudo isso. Só precisas de te manter fiel.

Lovernios, o Raposo disse...

Eu quero viver, e viver de maneira infinita! Como? Espalhando os meus genes por aí em qualquer ventre de uma qualquer jovem de olhos de safira, de esmeralda, de obsidiana, de ónix ou da cor da terra.

Basicamente, quero procriar e viver pelo sangue da minha descendência, cumprindo o apelo animal que me vai pelo sistema endócrino!

Basicamente... quero ter sexo.

nenúfar disse...

este foi daqueles textos que comecei a ler e não parei. e não parei porque não tinha de parar, as palavras correram-me à frente dos olhos, apanhei-as e bebi-as. viver: tão efémero e, ao mesmo tempo, tão eternamente eterno.

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