segunda-feira, 3 de março de 2008

O que sempre quis...


Era uma daquelas noites, sabem? Que estás fodido, mas não admites. Pedem-te uma boleia, aceitas. O que mais podes dizer? És um gajo porreiro, não sabes ser de outra forma. Estas leve, bófia na borda da estrada, olha que te fodem! Concentra-te, é já ali, mais uma curva. Trabalho feito, sorrisos, amanhã a mais, certo?
Volto para casa, luzes fora, pela estrada fora, apagam-se.
Olá deixa que me apresente, sou um homem de posses e gosto…mas isto é demasiado cliché para ti, ce n'est pas?
Foda-se, curva mal dada, é tarde, sozinho na estrada…
Johnny?
Que merda é esta?
Posso ser o Depp, estou aqui para ti. A história é simples, já sabes, Fausto ou Robert Johnson, o merceeiro ou a Shakira, tenho o quero tendo o que querem…
Espetei-me ali atrás, isto não é real.
É real, é! Real como a Rainha de Inglaterra (bela pega que ela era na juventude…).
Mon enfant, dá-me a tua alma, e eu dou-te o que queres… C'est simple, non ?
Concorda com ele, concorda com ele!
Okay, o que eu quero é cona! Que se foda o poder, fama e dinheiro! Nunca mais quero estar sozinho! Amor, pêgas e o diabo, que bela perspectiva!
É tua, mon amor!
Puff, feito!
Acordo, período de sono conturbado, hum…sinto-me estranho…
Acho que hoje não vou as aulas, estou bem...
Moral deste conto, deixei de ser uma a partir do momento que tive uma…

2 comentários:

AnCaLaGoN disse...

Um primeiro texto é sempre difícil de analisar... é intimista, e nem sempre é possível de decifrar... mas fica aqui o que gosto:

Aprecio a mescla de estilos, a procura de uma identidade na escrita, a influencia parva de línguas estrangeiras... como se fosses um dandy louco que esbraceja louco com um braço enquanto segura um copo de brandy na outra mão.

Continua assim e terás uma morte poética, digna de um escritor do SEC:XIX... tuberculose... ahhh to die in such gracefull maner!!!

Louernios, o Raposo disse...

Curvas e contra-curvas. Deixas o carro seguir o caminho que tu escolhes ou o que tu esperas que os outros esperem de ti?
A franqueza está na simplicidade, no preto ou branco. Cinzentos e elaborações em qualquer superfície de veludo ou em qualquer língua estrangeira são apenas artifícios...? Se calhar não. Essa franqueza que procuras na simplicidade também tem o seu quê de pequenas peças que não saltam à primeira vista. Peças pequenas demais para crianças abaixo dos 3 anos.